Sobre mim
A minha história
Olá, sou a Vânia.
Apesar de hoje trabalhar com criação de receitas, nunca tive uma enorme aptidão para a cozinha.
Sou uma pessoa extremamente visual e criativa. Aprendo muito através da experimentação, por isso gosto de mostrar que um prato pode ser simples, mas também apelativo. A vida é curta demais para passar os dias entre tachos e comida sem sabor.
A minha relação com a alimentação sempre esteve ligada à saúde e ao bem-estar. Comecei o Made by Choices precisamente por aí, porque a minha saúde começava a dar sinais e precisava de mudar a forma como comia.
Durante anos achei que a alimentação era o centro de tudo, até a minha saúde voltar a dar sinais.
Esta é a página onde vou contar o que aconteceu.
Linha do tempo
O meu corpo e o Made by Choices
O Made by Choices sempre foi um reflexo das minhas escolhas. Quando o meu corpo mudou, a minha cozinha mudou também, mas nem tudo se resolveu com a alimentação.
2013-2015
A pílula aos 15
Desde a adolescência que sofro com dores menstruais intensas, o que me levou a tomar a pílula desde os 15 anos. Aos 28, decidi deixá-la.
Durante seis meses deixei de menstruar e o acne voltou em força, sobretudo nas costas. Na consulta de ginecologia, com base nos sintomas (nos pelos excessivos e numa ecografia), veio o diagnóstico: SOP (hoje SOMP). A solução seria voltar à pílula, precisamente o que eu não queria.
Como estudei naturopatia, sabia que o estilo de vida tinha muito impacto. Na altura comia muito poucos vegetais e a minha alimentação era à base de fast food.
Passar a vegetariana foi a forma que encontrei de comer melhor. Comecei pelas segundas-feiras sem carne nem peixe e, como comecei a gostar dos pratos que fazia, o resto foi uma sequência. Mantive essa alimentação durante cerca de 10 anos.
O meu corpo respondeu bem: as menstruações ficaram regulares e as dores mantiveram-se controladas.
Não acho que seja necessário ser vegetariana para ajudar nos sintomas da SOMP. Comer bem, fazer exercício e regular as hormonas, isso sim, é essencial.
Em termos simples
O que é a SOMP
A SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina) é o novo nome (adotado em 2026), da SOP (Síndrome dos Ovários Poliquísticos). É uma condição hormonal e metabólica, que pode causar ciclos irregulares, acne ou excesso de pelos, e está muitas vezes associada à resistência à insulina.
Fonte: The Lancet · Hospital Trofa Saúde
2015-2024
Dez anos de Made by Choices
O Made by Choices começou em 2015 como um registo das receitas que ia experimentando. Queria mostrar que a cozinha vegetariana não era assim tão difícil e (desde o início), já pensava em fazer disto o meu trabalho.
Vieram dois livros, por convite de editoras, e entre 2018 e 2020 dezenas de showcookings e workshops pelo país, quase sempre esgotados.
Pelo caminho perdi o medo de arriscar na cozinha: testar, falhar e voltar a testar. Hoje adoro ter cor e texturas no prato.
Tenho orgulho em muita coisa. Mas o que mais me orgulha é ajudar milhares de pessoas a fazer o jantar, todos os dias. Isso não tem preço.
2024-2025
As dores voltaram
Durante quase dez anos, as dores estiveram controladas. Até que, em 2024, de repente e sem nenhum sinal prévio, tive um episódio de dor menstrual intensa que me acordou a meio da noite e me fez rastejar até à gaveta dos comprimidos.
Os episódios repetiram-se, sem nenhuma explicação aparente. Marquei consulta com um ginecologista especializado em endometriose, o Dr. João Sequeira Alves. Pelo padrão da dor, a hipótese de endometriose ficou em cima da mesa.
Só queria mesmo perceber o que se passava comigo. O médico pediu outras opiniões e novas ecografias endovaginais, e passei por mais duas médicas.
Em 2025 veio o diagnóstico: mioma benigno. Fiquei feliz, porque a endometriose seria bem pior. Mas o mioma não explicava as dores. E essa foi a parte mais confusa de todas.
Em termos simples
Mioma uterino
Também chamado fibroma, leiomioma ou fibromioma, é um tumor benigno que se forma no músculo do útero.
Fonte: Manual MSD
2025
O inchaço que eu achava normal
Na consulta de ginecologia, o médico aconselhou-me a ser acompanhada por uma nutricionista. Descobri a Mafalda Esteves numa partilha no Instagram, entre sugestões de nutricionistas especializadas em saúde da mulher. Mas não confio em ninguém de imediato: vi muitas publicações dela e muitos testemunhos antes de marcar consulta, já no início de 2025.
Nessa altura não sabia que vivia com sintomas gastrointestinais. Sentia-me inchada no geral e percebia-o sobretudo pela roupa: havia fases em que as calças deixavam de me servir e, sentada, tinha de abrir o botão. Acho que já vivia com a barriga distendida de forma crónica, sem dar por isso.
Fizemos ajustes anti-inflamatórios na alimentação e alguma suplementação. Dois meses depois, não melhorava, sobretudo na fase lútea do ciclo menstrual.
“Se eu como tão bem e saudável, porque é que estou assim?”
Foi então que a Mafalda me disse: “Vânia, vamos experimentar o low FODMAP.” Fiquei muito triste. Nunca pensei ter de fazer uma dieta tão restritiva. Na altura acho que nem percebi bem o que isso significava. No final de junho de 2025 comecei o protocolo.
Alguns registos de momentos em que a minha barriga ficava inchada.
Em termos simples
O que é a dieta low FODMAP
É uma dieta temporária desenvolvida pela Monash University, para pessoas com distúrbios gastrointestinais funcionais, como a síndrome do intestino irritável. Faz parte de um protocolo de 3 fases e deve ser sempre acompanhada por um nutricionista.
Fonte: Monash University
A minha experiência com o protocolo
FASE 1 · Dieta low FODMAP
Nas primeiras semanas notei logo melhorias no inchaço. Mas continuar vegetariana tornou-se um desafio. A base proteica dos meus pratos passou a ser tofu, ovos e pouco mais. Por isso voltei a comer peixe e depois frango.
FASE 2 · REINTRODUÇÃO
Percebi que os meus gatilhos estão nos oligossacarídeos (frutanos e galactanos), presentes no trigo, centeio, cevada, espelta, alho e algumas leguminosas.
FASE 3 · PERSONALIZAÇÃO
Com a nutricionista, começámos a personalizar novamente a alimentação: reintroduzir aquilo que tolerava, perceber melhor as quantidades que funcionavam para mim e deixar de seguir uma alimentação tão restritiva.
2026
Quando a comida não explicava tudo
Mesmo depois de identificar os meus gatilhos, continuava a ter crises gastrointestinais em determinadas alturas do ciclo menstrual, sobretudo na ovulação e na menstruação.
Decidi procurar um gastroenterologista. Passei por três médicos diferentes até chegar à Dra. Marta Patita, que é atualmente a médica que me acompanha hoje. Os primeiros focaram-se só nos exames. Com ela senti finalmente confiança.
Fiz um teste respiratório por suspeita de sobrecrescimento bacteriano (SIBO), que deu positivo para metano (IMO), e fiz o tratamento com antibiótico.
Pelo padrão dos sintomas e pela avaliação clínica, fui também diagnosticada com SII (Síndrome do Intestino Irritável). No meu caso, parece muito associada às oscilações hormonais: os sintomas não surgem por acaso, agravam-se em fases específicas do ciclo. Lembro-me de pensar: finalmente, um nome para o que sinto.
Em termos simples
O que é a SII
Síndrome do Intestino Irritável. Uma perturbação funcional do intestino, sem lesão visível nos exames: dor abdominal recorrente associada a alterações do trânsito intestinal.
Em termos simples
O que é o IMO
Excesso de microrganismos que produzem metano no intestino, antes considerado um tipo de SIBO. Costuma associar-se a obstipação e inchaço e diagnostica-se com um teste respiratório.
Em termos simples
O ciclo menstrual e o intestino
As hormonas não causam a SII, mas podem influenciar os sintomas. Muitas mulheres notam que as queixas digestivas mudam ao longo do ciclo e pioram perto da menstruação.
Hoje
Onde estou hoje
Hoje faço uma alimentação adaptada: evito os alimentos que sei que não tolero, mantenho muitas refeições vegetarianas (adaptadas) e voltei a comer peixe e carne. O inchaço agora é pontual. Quando aparece, normalmente sei porquê.
O glúten foi a maior descoberta. Só depois do protocolo percebi que não o tolero mesmo: sempre que tento reintroduzi-lo, fico com uma distensão abdominal enorme, dores de cabeça e vómitos. Estou sem glúten há mais de um ano e meio e ainda não fiz os exames para excluir a doença celíaca (a ganhar coragem).
Continuo a ter sintomas nas mesmas alturas do ciclo. Por isso faço terapia somática e Medicina Tradicional Chinesa, a par da alimentação e do acompanhamento médico.
Ainda não tenho todas as respostas, mas hoje conheço muito melhor o meu corpo.
O Made by Choices hoje
O que mudou
Tudo isto também mudou o Made by Choices. Mudou a forma como cozinho e os ingredientes que uso. Mudaram os temas que partilho e a maneira como olho para a alimentação.
Por isso o site deixou de ser 100% vegetal. Mas a essência continua a mesma. Receitas saudáveis, com mais vegetais e amigas da digestão. Para quem me acompanha desde 2015, obrigada por continuarem aqui.
Esta história continua em construção.
E o Made by Choices também.
Vânia
Esta é apenas a minha experiência pessoal e não tem como intuito diagnosticar nenhuma patologia. As informações aqui partilhadas não substituem o acompanhamento de um profissional de saúde.
